Há alguns meses venho observando a falta de chamadas recebidas no meu celular, as vezes contando as barrinhas do medidor de sinal, suspeitando da qualidade do sinal da Claro aqui nessa região da cidade. Será que o sinal é baixo o suficiente para espantar chamadas agradáveis, desejadas, ou qualquer uma? Mas que ridículo!
Troquei a região central porque comprei um Ap. numa região residencial, que é uma região menos favorecida culturalmente, mas o Ap. é do jeito que sempre quis, da minha maneira. Só não achei que se quisesse viver da minha maneira entre quatro paredes precisaria desistir de viver à minha maneira do lado de fora delas. Alguma coisa me fez mudar de região, e hoje eu já esqueci que coisa foi essa.
Rondei meu novo bairro duas vezes antes de mudar-me e achei massa morar numa rua próxima do clube desportivo, ao lado do shopping e poder usar bicicleta para ir de um lado para o outro. Mas agora estou achando péssimo ficar distante da barulheira e dos excessos da vida do centro de São Paulo. Não achei que estivesse trocando uma vida por outra, nunca senti que assim estivesse fazendo.
Ir pra cama de madrugada depois de beber com os amigos naquele mesmo bar de sempre, ver novamente os caras que paquerei na semana anterior e paquerar outros novos. Quando foi que optei em deixar isso pra trás? O que é que eu tanto procurava que pensava só ser possível encontrar longe dalí? Ou que precisasse sair dali para encontrar. Não achava que mudar de região fosse me afastar das pessoas que tanto via e que tanto me ligavam.
Agora estou desconfiado de que ao mudar de endereço, mudei substancialmente certas características pessoais. Sabem aquelas pequenas manias, desejos e atitudes que fazem de nós o que realmente somos, de que tanto gostamos? Pois bem, depois de quatro anos vivendo no mesmo ritmo intensamente eu achei que pudesse agregar novas características, mas será que meu corpo suportaria tanta diversidade? Isso me faria maior ou melhor do que já me sinto agora? Bom, eu tenho que tentar, afinal, meu telefone tem tocado muito pouco.
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11, Agosto, 2008 às 11:05 am
Caro amigo,
Impressionante como as microregiões de são paulo são tão diversas capazes de nos fazer acreditar que tudo mudou, 10 km adiante. Quando saio daqui e vou praí, sinto que estou viajando, indo para um mundo onde vou comprar pão a pé e o moço da quitando pergunta se minha mãe já está melhor da perna. Lá onde meu carro nem funcionada na segunda de manhã, pois sequer olhei pra ele durante o sábado e domingo. Pra que carro??? Fico mais em casa e tudo está ali na rua de cima. Pães, carnes, amigos, parentes.
Mas, caro Watson, lá não tem EMPREGO, nem CINEMA, nem barzinho com os mesmos amigos. Depois de tantos anos fora de lá, os amigos de outrora são estranhos, gordos, carecas, mães, presos, soltos, gays, viciados, doentes, ricos.
E eu também farei o retrocesso ano que vem, quando voltarei pra casa da mamãe, deixando para trás o trabalho e a Vila Clementino, o Ibirapuera a 5 minutos de casa, a padaria mais badalada da cidade (tem até manobrista), o japones baratinho no quarteirão do meu AP…
nossa.
não gosto dessas reflexões.