On my shoes Vol. 2 – (Into) the dark

25, Agosto, 2008

Ouvindo Markuz Schulz, Live @ Sunrise Festival 2008 

Por que gastei tanto tempo me preparando para aquilo o que veio a seguir? Por que será que não me senti preparado antes e deixei para mais tarde, sempre adiando, justamente aquilo o que quis que já tivesse acontecido? Confiei que ele iria me aceitar como realmente sou e isso dependeu única e exclusivamente do meu reflexo diante dele outras vezes. Nada mais. Minha confiança ou minha postura? Ambos.

Tudo aconteceu muito rapidamente, senti que podia lutar contra meu orgulho e naturalmente seguir a diante. Continuei seguindo, peguei meu fone e liguei pra ele. E muitas palavras sobraram pra depois, porque o medo surgiu sem medo de ser feliz, tentando me corromper e frustrar aquela que eu julguei ser minha única tentativa. Tropecei em algumas palavras, falei pouco para não soar articuloso, me questionando se deixei implícita minha intenção, de soar uma companhia agradável, de parecer inteligente… Quis fazê-lo rir e se interessar também, embora sem saber se ele é, e mais além, se ele quer. Corri esse risco.

Fiz o convite, houve retorno, marcamos o primeiro encontro. Sabemos o que fazemos e temos nossa profissão em comum. Vamos falar sobre trabalho, e, talvez, sobre algumas outras coisas das quais ele gosta, de acordo com o Orkut dele. Não podia deixar de bisbilhotar, é óbvio. Mas, como fazer ganchos entre um assunto e outro, e assim pescar outras reveladoras e valiosas infos, ou seja, como fazê-lo se interessar por mim a ponto de ouvir dele confissões, revelações? Se eu soubesse mais sobre ele do que sei agora, certamente continuaria com a mesma dúvida, eu acho. Então, isso não é nada com o que eu deva me preocupar. O medo já tremendo em função da minha incerteza sobre a sua sexualidade, não preciso de mais dúvidas.

Eu nunca dei um tiro no escuro antes, mas já imaginava a sensação que isso causaria: impotência. Sinto que estou vagando, sem saber ao certo se corro riscos maiores do que posso suportar, ou me expor ao ridículo pela hipótese do não. Mas sei ao certo que, se eu não ligasse pra ele, gastaria mais tempo da minha vida dedicando a sonhar do que realmente realizar, que é o que eu mais quero.

 

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